Pesquisa foi a primeira no Brasil a aplicar treinamento cognitivo-comportamental em universitários “O equilíbrio emocional é fundamental em todos os aspectos da nossa vida...

Pesquisa foi a primeira no Brasil a aplicar treinamento cognitivo-comportamental em universitários

“O equilíbrio emocional é fundamental em todos os aspectos da nossa vida cotidiana. Estamos expostos diariamente a situações estressantes e a forma como as enfrentamos determina se adoeceremos ou não”. Essa afirmação é de Camila Bianchini, pesquisadora responsável pelo estudo “Treinamento em equilíbrio emocional para redução do estresse e promoção da saúde em meio acadêmico”, desenvolvido durante o mestrado no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PPGEnf) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), sob orientação de Eliane da Silva Grazziano, docente do Departamento de Enfermagem (DEnf) da Instituição.

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A pesquisa foi realizada entre os meses de outubro e dezembro de 2016 e contou com a participação de 59 estudantes universitárias de graduação e pós-graduação (strictu sensu) do Campus São Carlos da UFSCar. O objetivo foi avaliar os efeitos de uma intervenção para a redução da ansiedade, do estresse e da depressão e para melhoria da capacidade de atenção nas estudantes. Camila Bianchini diz que optou por trabalhar somente com participantes do sexo feminino, pois estudos atuais indicam um maior nível de estresse e depressão entre mulheres do que em homens e também com a finalidade de homogeneizar os grupos para comparação dos resultados.
Ela relata que as voluntárias foram divididas em dois grupos: grupo de intervenção com 27 estudantes e grupo controle com 32. O grupo que passou pela intervenção completou um programa de oito semanas, com encontros semanais de 2h30 de duração, composto por exercícios de Hatha Yoga e pelo Cultivating Emotional Balance Course (CEB) – curso/treinamento em equilíbrio emocional. Todas as participantes completaram questionários autoaplicáveis e validados no Brasil antes do início da intervenção e após o período de oito semanas. O grupo controle apenas preencheu os mesmos questionários.

Do total, “a maioria das estudantes foi classificada como estressada – 69,5% -, sendo que as alunas de pós-graduação apresentaram maior prevalência do estresse  – 75%”, comenta Bianchini. A pesquisadora aponta que o resultado do estudo indicou que houve uma redução estatisticamente significativa dos índices de estresse, ansiedade e depressão nas voluntárias que participaram da intervenção proposta. “Para os escores de atenção, não foram identificadas diferenças significativas”, completa.
Outro destaque foi que, curiosamente, as participantes que não exerciam atividade remunerada e se dedicavam somente aos estudos apresentaram mais estresse do que aquelas que estudavam e trabalhavam concomitantemente. Segundo Bianchini, a valoração de um evento considerado estressante é individual e depende das crenças, recursos físicos e cognitivos, experiências, sentimentos, emoções e afetividade de cada pessoa.

A pesquisadora alerta que “o estresse contínuo pode favorecer o surgimento de transtornos de ansiedade e de humor, sendo a depressão o mais prevalente”. Tais transtornos influenciam diretamente o rendimento acadêmico dos alunos por afetarem a memória, a atenção, a concentração e a capacidade de resolução de problemas. “No que diz respeito aos contextos familiar e social, esses transtornos prejudicam o relacionamento entre as pessoas e a qualidade de vida dos indivíduos”, afirma ela.

O método utilizado no grupo de intervenção – CEB – é uma estratégia cognitivo-comportamental inovadora que possui como objetivo desenvolver no praticante o conhecimento da origem e comportamento das emoções em si próprio e no outro e, dessa forma, promover a saúde física, mental e social. Camila Bianchini aponta que os resultados da pesquisa indicam o uso de tal intervenção como possível ferramenta para o gerenciamento do estresse entre estudantes universitários apresentando vantagens como a possibilidade de ser realizado em grupo e o baixo custo de implementação. “Ressalto a importância das universidades promoverem o acesso dos discentes a intervenções para o gerenciamento do estresse, a fim de reduzir os efeitos negativos das grandes demandas acadêmicas e proporcionar uma melhor vivência da experiência universitária, sem prejuízos à saúde física e mental dos alunos”, conclui Bianchini.

A pesquisa foi a primeira no Brasil a utilizar a intervenção com o CEB em população de estudantes. A defesa da dissertação do mestrado de Camila Bianchini será realizada no próximo dia 20 de fevereiro, na UFSCar, tendo como banca examinadora a orientadora da pesquisa, professora Eliane da Silva Grazziano; Ana Lúcia Siqueira Costa, da Escola de Enfermagem da Universidade São Paulo (USP); e Karla de Melo Batista, docente do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

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