Projeto Ecoar discute temas sobre violência e bullying em escolas da rede em Campinas Projeto Ecoar discute temas sobre violência e bullying em escolas da rede em Campinas
Violência, bullying, automutilação e racismo. Esses são alguns dos problemas enfrentados por adolescentes e que, nas últimas semanas, foram evidenciados pela série 13 Reasons... Projeto Ecoar discute temas sobre violência e bullying em escolas da rede em Campinas

Violência, bullying, automutilação e racismo. Esses são alguns dos problemas enfrentados por adolescentes e que, nas últimas semanas, foram evidenciados pela série 13 Reasons Why, da Netflix. O enredo traz a história de uma adolescente que comete suicídio e deixa fitas cassetes relatando quem são as pessoas e os motivos que a fizeram cometer tal ato. Em seis escolas municipais de Ensino Fundamental da região Noroeste de Campinas esses assuntos já são cotidianamente debatidos e tratados por meio do projeto Ecoar, que envolve alunos – do 6ª ao 9º ano -, professores e um grupo de psicólogos e estudantes de psicologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Campinas).

“A série é impressionante e mostra como um caso de violência afeta a dinâmica da escola. Expõe o cotidiano complexo de uma escola. Os problemas retratados na série fazem parte do cotidiano de uma escola”, explica a diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Edson Luis Chaves, Tânia Irineu, que tem o Ecoar na sua unidade de ensino.

O projeto leva para o ambiente escolar, por meio de discussões, reflexões sobre as formas de enfrentar e prevenir as diversas maneiras de violência na escola. “É um projeto que dá suporte ao processo educativo”, afirmou a coordenadora do Ecoar e professora da Faculdade de Psicologia da PUC, Raquel Guzzo. “A psicologia na escola tira a criança da situação de risco”, acrescentou Raquel.

Cada escola da região Noroeste conta com um grupo supervisionado por Raquel, composto por uma psicóloga e duas estagiárias. O primeiro passo do projeto é fazer um mapeamento da realidade da escola. Para isso, são ouvidos estudantes, professores, gestores e os demais funcionários.  A partir deste diagnóstico são feitos trabalhos coletivos, que acontecem mensalmente: são as chamadas assembleias de classe. Nelas, são promovidas discussões coletivas sobre os problemas vivenciados no espaço escolar em duas fases: discussão e encaminhamento. Ao final dos encontros, os alunos assinam uma ata comprometendo-se cumprir as ações que foram propostas.

“Os temas pautados são discutidos com os alunos, levantamos questões caracterizando o problema, e as encaminhamos com as sugestões deles. Com a nossa mediação, eles têm de pensar em ações concretas”, disse Jacqueline Meireles, psicóloga do Ecoar responsável pelo trabalho na Emef Edson Luis Chaves, no Jardim Santa Rosa. Ela ainda ressaltou a participação dos estudantes. “É importante ouvir o que eles têm a dizer. A gente resolve os problemas da escola na base do diálogo. Criamos essa cultura de participação, desenvolvimento e autonomia com o diálogo”.

Paralelo ao trabalho com os alunos, o Ecoar faz um trabalho de formação com os educadores. “A ideia é pensarmos e auxiliarmos os professores nestas situações que eles vivem no cotidiano da escola, trazendo fundamentos da psicologia para ajuda-los”, explicou Jacqueline.

Para Tânia Irineu ter um momento de debate sobre violência na escola é fundamental para a solução desse problema. “O Ecoar vem com as demandas dos nossos alunos, eles se colocam e ensinam as crianças a se posicionar e a dizer o que e porque está acontecendo. Isso transforma a escola em um espaço seguro e saudável, que eles possam se desenvolver. Nós estamos muito gratos pela parceria”, reconheceu Tânia.

Fatalidade

“A Rede Municipal tem o caso de um aluno que passou mal em uma aula de Educação Física, foi socorrido, mas faleceu no hospital. Os alunos ficaram com medo de ir para as aulas de Educação Física. Ou seja, a subjetividade é afetada pelas circunstâncias do ambiente. Você não pode naturalizar e banalizar a violência e casos assim porque as pessoas ficam insensíveis. Ninguém, nem psicólogos, médicos, estudiosos, nunca explicou o impacto em uma criança quando uma situação de violência como essa acontece”, exemplificou Raquel.

Noroeste

Com o apoio da Secretaria Municipal de Educação e da Faculdade de Psicologia da PUC – Campinas, o Núcleo de Ação Educativa Descentralizada (Naed) responsável pela Região Noroeste de Campinas desenvolve o Ecoar nas seis Emefs da região: Clotilde Barraquet, no Jardim Florence II, Edson Luis Chaves, no Jardim Santa Rosa, Padre Francisco Silva, na Vila Castelo Branco, Padre Leão Valleriè, no Parque Valença I, Padre Melico Cândido Barbosa, no Parque Tropical e Sylvia Simões Magro, Jardim Ipaussurama.

Para 2017, a perspectiva é ampliar o programa para outros seis Centros de Educação Infantil na região, “que são escolas que estão próximas às Emefs atendidas pelo projeto e provavelmente mandarão alunos pra cá no primeiro ano”, afirmou Thais Penteado, supervisora educacional do Naed Noroeste. “Começará com esse critério. O intuito é fazer um trabalho preventivo com estes alunos menores e acompanhá-los até entrar no ensino fundamental. Vamos proporcionar isso pra essa região, que precisa muito”, concluiu.

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